20 de setembro de 2021

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Preservar é coisa de criança

Preservar é coisa de criança!

É na infância que se aprende que cada ação tem uma consequência, ensinamento fundamental para que o indivíduo se torne capaz de assumir responsabilidades no futuro. O tema do meio ambiente é ideal para reforçar esses valores, e quanto mais cedo as crianças começarem a entender o assunto, melhor, pois ele promete ser um dos mais importantes das próximas décadas. 


Mas como falar de algo tão sério e complexo com as crianças? À medida em que se desenvolvem, elas conseguem assimilar conhecimento de forma mais elaborada, mas, enquanto ainda são pequenas, o ideal é ensinar por meio de situações concretas, principalmente com atividades lúdicas


Pensando nisso, selecionamos algumas dicas que podem ajudar famílias e educadores a falar de sustentabilidade de um jeito divertido e descomplicado. Preservar é coisa de criança! Confira!

Virou passeio!


Levar os alunos para fora do ambiente mais tradicional de estudo é uma estratégia básica para ensiná-los sobre ecologia. Passeios ao ar livre podem ser combinados com lições sobre espécies de plantas e animais, poluição do ar, poluição sonora e visual e descarte de lixo. 

Professor: você pode dividir seus alunos em grupos para catar material reciclável que foi incorretamente descartado nas ruas próximas à escola e atribuir pontos para cada matéria-prima (papel, metal, vidro e plástico) de acordo com o valor que esses insumos têm no mercado de reciclagem.

Além de explicar que alguns descartes não são recicláveis (o isopor, por exemplo), é possível estimular criatividade e cooperação por meio da reutilização desses produtos. Imagine uma competição de robôs construídos pelos estudantes com aquilo que encontraram nas ruas? 

Famílias: um passeio no parque é sempre uma ótima oportunidade de estimular nos pequenos o amor pela natureza. Que tal praticar com as crianças a observação de pássaros? Mesmo nas maiores cidades do país, como São Paulo, a população de aves é abundante, tanto de animais nativos como de espécies exóticas.

Uma ideia: ajude as crianças a fotografar passarinhos durante os passeios e depois imprima duas cópias 6×9 de cada foto para criar um jogo da memória. 

Da horta!

Fazer uma pequena horta de temperos e frutos pequenos, como morango e tomate cereja, é uma atividade simples, mas que ensina muito. É possível envolver as crianças em todo o processo, desde a preparação dos vasos, a adubação da terra, o plantio e a colheita. Essa atividade permite ensinar sobre o ciclo das plantas, o efeito da variação das temperaturas, da luminosidade e da umidade entre as estações do ano, a composição química do solo e a interação entre plantas e animais. Cientistas também afirmam que o hábito de cultivar plantas é benéfico para a saúde mental em qualquer idade. 

Professor: a criação de uma horta na escola pode mudar para sempre a forma como as crianças olham para o alimento. Quem é estimulado desde cedo a pensar como a comida chega no prato tende a ter uma alimentação saudável e um melhor desenvolvimento físico e mental.

Se a instituição não tiver um espaço adequado para a criação da horta, não desanime: hortaliças precisam de pouca terra, e jardineiras retangulares e vasinhos dão conta do recado, além darem charme ao ambiente escolar. Neste momento de pandemia, uma ideia é desenvolver uma atividade de hortas virtuais, com cada estudante compartilhando fotos e vídeos sobre a etapa de desenvolvimento de suas plantas em vasinhos. Que tal criar um perfil nas redes sociais para que as famílias acompanhem e incentivem o projeto?

Famílias: uma hortinha adubada é muito mais produtiva. Uma ideia para ter adubo sem química sempre à disposição é ter uma composteira ou minhocário, um dispositivo simples que na maioria das vezes é feito de três caixas de plástico sobrepostas e que pode ter o tamanho que couber na sua área de serviço (veja como construir uma aqui).

Além de diminuir sensivelmente a quantidade de lixo orgânico da sua casa, essa iniciativa vai ajudar as crianças a entender o processo de decomposição.

Ativista mirim


Quem sabe mais sobre a natureza, se conscientiza sobre a importância da preservação. No mundo inteiro, as crianças estão aprendendo na escola sobre a atual crise climática e sobre os riscos que ela representa para o planeta. É natural que os pequenos se sintam injustiçados ao perceber que os adultos estão entregando a eles um mundo à beira de um colapso ecológico. Por isso, é muito importante explicar para eles que ainda é possível evitar o pior e mudar a relação da humanidade com o restante do mundo natural — e que as crianças de hoje serão as protagonistas dessa revolução. 

Professor: uma aula de geografia interessante pode ser centrada no ativismo ambiental. Discuta com seus alunos os principais problemas ambientais que eles identificam em sua cidade ou comunidade, depois estabeleça com eles quais políticas públicas eles gostariam de criar para solucionar esses problemas.

Você pode confeccionar com os mais novos alguns cartazes com reivindicações, e com os mais velhosmateriais de campanha usando o computador. Outra ideia é pedir aos alunos que façam uma redação após a experiência dizendo o que eles fariam pelo ambiente se fossem prefeitos por um dia. 

Famílias: para despertar nas crianças o sentimento crítico e de preservação do meio ambiente nada é melhor do que o exemplo. Que tal debater com elas o impacto ambiental daquilo que sua família consome e criar uma estratégia para reduzir esse efeito?

Outro hábito que vem de berço é o uso racional dos recursos naturais, como água e energia. Envolva também os pequenos desde cedo na separação do lixo e do material reciclado da casa. Você pode criar um sistema de recompensas mensais para as atitudes sustentáveis dos pequenos. 


Lembre-se: você não precisa saber tudo! É comum que as crianças façam perguntas complexas sobre meio ambiente, até porque a ciência ainda não tem todas as respostas sobre a ecologia da Terra. Ao admitir que você não sabe uma resposta, você ensina algo importante: aprender a aprender, ou seja, a habilidade de pesquisar uma informação de maneira autônoma.


Há sites muito interessantes que podem ajudar nessa tarefa. O Edukatu tem uma rede que permite a troca de experiências e de materiais sobre educação ambiental entre escolas de todo o Brasil. O Instituto Socioambiental tem uma página dedicada a tratar das questões indígenas de forma educativa e lúdica — é o projeto Povos Indígenas no Brasil Mirim, que traz materiais que podem servir de inspiração para aulas, por exemplo, de história, geografia, artes e biologia. E uma boa fonte de pesquisa escolar é o site do WWF Brasil, que tem uma seção para explicar conceitos ambientais básicos como ‘camada de ozônio’ e ‘mata ciliar’.  

FONTE: https://www.climatempo.com.br/noticia/2021/01/14/preservar-e-coisa-de-crianca-7368
por Cinthia Leone, Instituto Climainfo